sexta-feira, 20 de maio de 2016

Sinagoga mais antiga da capital ficou interativa

Primeira Sinagoga de São Paulo se torna um Memorial e recebe doações de figuras públicas como o apresentador Silvio Santos 

São Paulo ganha o primeiro memorial dedicado a história do povo judeu, com a colaboração da comunidade judaica e de figuras públicas. O acervo interativo está repleto de documentos, fotografias, elementos religiosos e livros do povo hebreu; entre os quais estão o livro Diálogos de Amor, de 1580, escrito por um dos antepassados de Silvio Santos. A exposição interativa permite que os visitantes absorvam facilmente diversas fases migratórias, festas, ritos e tradições da cultura judaica.

Foto: Eduardo Ortega - Galeria de imagens e uma tela interativa com legendas das diversas famílias imigrantes 

Yasmin Klein, responsável pela administração do museu, acredita que a interatividade é importante para imersão do público durante a visita. “Aqui é o antigo contrastando com o novo, não é uma coisa ruim. Às vezes você coloca uma coisa moderna junto de uma coisa antiga e atrapalha, mas aqui é exatamente ao contrário, é o moderno e a tecnologia se ajudando”, relata.  O ambiente foi projetado para receber pessoas de todas as faixas etárias. Segundo o professor de literatura hebraica judaica na USP, Luis Sergio Krausz, isso torna a exposição mais atraente. “Eu acho que essa ideia de fazer uma exposição interativa é muito interessante, por que os objetos mortos, parados muitas vezes não são tão atraentes, não comunicam tanto as coisas para quem está indo lá só para contemplar”.

Filho de imigrantes judeus e Diretor do culto da Sinagoga do Club Hebraica, José Luiz Goldfarb, acredita que o acervo do Memorial foi bem selecionado e isso ajuda a preservar a memória da cidade de São Paulo. “Esse momento da gente estar reconstituindo essas sinagogas, memoriais e museus é também um momento que a comunidade tem uma preocupação bem maior de apresentar sua história, seu pensamento, seus princípios, sua filosofia para uma comunidade maior”, afirma. Para Yasmin, esse é o maior retorno que o museu proporciona, pois, ele ajuda pessoas que não são familiarizadas com a cultura judaica aprendam um pouco da história do povo hebreu na capital.

O memorial fica localizado no bairro do Bom Retiro, um lugar carregado de simbolismo de uma cultura milenar. Yasmin, conta sobre a história da região: “O Bom Retiro foi tido como o bairro dos judeus até mais ou menos 1960.  A Sinagoga foi construída em 1912, pelos imigrantes que começaram a chegar aqui em meados de 1903.”. Esses imigrantes foram responsáveis por influenciar o desenvolvimento do bairro ao longo da história, pois, abrigou muitos refugiados judeus em decorrência da Segunda Guerra Mundial. Algo que fica nítido para Yasmim. “Algumas fotos do acervo parecem Israel, nem parece que eles estavam no Brasil.”.

O Memorial da Imigração Judaica fica localizado na rua da Graça, número 160, no bairro do Bom Retiro em São Paulo. A exposição é gratuita e funciona de domingo a sexta-feira, das 10h às 17h.

0 comentários:

Postar um comentário