Primeira
Sinagoga de São Paulo se torna um Memorial e recebe doações de figuras públicas
como o apresentador Silvio Santos
São Paulo ganha o primeiro memorial dedicado a história do povo judeu,
com a colaboração da comunidade judaica e de figuras públicas. O acervo interativo
está repleto de documentos, fotografias, elementos religiosos e livros do povo
hebreu; entre os quais estão o livro Diálogos de
Amor, de 1580, escrito por um dos antepassados de Silvio Santos. A exposição
interativa permite que os visitantes absorvam facilmente diversas
fases migratórias, festas, ritos e tradições da cultura judaica.
Foto: Eduardo Ortega - Galeria de imagens e uma tela interativa com legendas das diversas famílias imigrantes
Yasmin
Klein, responsável pela administração do museu, acredita que a interatividade
é importante para imersão do público durante a visita. “Aqui é o antigo contrastando com o novo, não é
uma coisa ruim. Às vezes você coloca uma coisa moderna junto de uma coisa
antiga e atrapalha, mas aqui é exatamente ao contrário, é o moderno e a
tecnologia se ajudando”, relata. O
ambiente foi projetado para receber pessoas de todas as faixas etárias. Segundo
o professor de literatura hebraica judaica na USP, Luis Sergio Krausz, isso
torna a exposição mais atraente. “Eu acho que essa ideia de fazer uma exposição
interativa é muito interessante, por que os objetos mortos, parados muitas
vezes não são tão atraentes, não comunicam tanto as coisas para quem está indo
lá só para contemplar”.
Filho de imigrantes judeus e Diretor
do culto da Sinagoga do Club Hebraica, José Luiz Goldfarb, acredita
que o acervo do Memorial foi bem selecionado e isso ajuda a preservar a memória
da cidade de São Paulo. “Esse momento da gente estar reconstituindo essas
sinagogas, memoriais e museus é também um momento que a comunidade tem uma
preocupação bem maior de apresentar sua história, seu pensamento, seus
princípios, sua filosofia para uma comunidade maior”, afirma. Para Yasmin, esse
é o maior retorno que o museu proporciona, pois, ele ajuda pessoas
que não são familiarizadas com a cultura judaica aprendam um pouco da história
do povo hebreu na capital.
O memorial fica
localizado no bairro do Bom Retiro, um lugar carregado de simbolismo de uma
cultura milenar. Yasmin, conta sobre a história da região: “O Bom Retiro foi
tido como o bairro dos judeus até mais ou menos 1960. A Sinagoga foi construída em 1912, pelos
imigrantes que começaram a chegar aqui em meados de 1903.”. Esses imigrantes
foram responsáveis por influenciar o desenvolvimento do bairro ao longo da
história, pois, abrigou muitos refugiados judeus em decorrência da Segunda
Guerra Mundial. Algo que fica nítido para Yasmim. “Algumas fotos do acervo parecem
Israel, nem parece que eles estavam no Brasil.”.
O Memorial da Imigração Judaica fica localizado
na rua da Graça, número 160, no bairro do Bom Retiro em São Paulo. A exposição
é gratuita e funciona de domingo a
sexta-feira, das 10h às 17h.

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