sexta-feira, 20 de maio de 2016

O primeiro eleitor da fila pode ser intimado para trabalhar como mesário

O Juiz Eleitoral não precisa convocar você para trabalhar nas eleições, basta uma falha para sua vaga ser garantida no time dos mesários

O mesário é o cidadão nomeado para compor as mesas eleitoras no dia das eleições, ele pode ser voluntário, convocado ou ser o primeiro da fila. Conforme a lei 4.737, art. 123 qualquer eleitor pode ser convocado para suprir as demandas da mesa eleitoral, caso algum mesário falte no dia da eleição e não exista ninguém para substitui-lo.


No entanto, para o Assessor Planejamento Estratégico de Eleições, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Juan Bernardez, 50, isso não é necessário, pois, existe um procura muito grande de voluntários. No dia da votação os que não foram direcionados até uma escola aguardam nos Cartórios Eleitorais uma possível convocação para cobrir a demanda em um dos postos eleitorais.


O Juiz Eleitoral segue alguns critérios exigidos por lei, para suprir escolher os mesários, entre eles ser maior de 18 anos. Essa função não recebe nenhum tipo de remuneração financeira por seus serviços, mesmo assim a lei garante alguns benefícios para o eleitor que trabalha nas eleições. Entre eles estão o direito a dois dias de folga por cada dia trabalhado nas eleições, inclusive o do dia de treinamento - desde que não ocorra mudança de empregador -, e dependendo do edital pode servir como critério de desempate em alguns concursos públicos. Além disso, o trabalho de mesário pode contar como atividade complementar em algumas faculdades.
Foto: Jhonny Cardoso - Título de eleitor


Ao contrário do que muitos imaginam, não são apenas os benéficos que motivam a população para trabalhar como mesário. Para Bernardez apesar disso algumas pessoas atuam pelo lado cidadão: “Conforme o Feedback que tivemos na última eleição, muitas pessoas diziam atuar pelo lado cidadão, principalmente os mais jovens.”, afirma Bernadez.


OS DOIS LADOS DA HISTÓRIA

Contudo, mesmo motivados para trabalhar nas eleições, alguns mesários fazem suas criticas ao treinamento, fornecido antes das eleições. Como é o caso da costureira Marcia da Silva, 35, que já trabalhou em duas eleições como voluntária: “Você é chamado para participar de um treinamento, que é muito rápido e não explica direito. Só isso deixa a desejar.”, relata Marcia.

Enquanto isso outros mesários acham que o treinamento foi suficiente para prepara-los para o dia das votações. Como é a Agente Administrativo, Yara Trentino, 38, que já trabalhou anteriormente como mesária convocada em duas eleições. “Na minha época o treinamento me deixou preparada para o que ira fazer, que não é nada muito complicado.”, diz Yara.

Mesmo assim a experiência não foi agradável para ela. “Eu acho que o sistema é incomodo. Você fica o dia inteiro numa escola, sem ventilador ou ar-condicionado, numa cadeira sem conforto. Talvez se fosse meio período teria uma procura maior da população. Eu mesma não voltaria a trabalhar como mesária”, conta Yara.

Por outro lado, Marcia não teve o mesmo problema. “No dia não tem erro, você sabe qual é a sua sala e o que vai fazer. Além disso, têm os documentos que são entregues explicando tudo.”, afirma Marcia. Para facilitar o trabalho dela e dos demais mesários, Bernandez diz que o TRE-SP está sempre disposto a ouvir as criticas, sugestões e pontos de vista deles.

PRÓXIMOS PASSOS

Com isso a Justiça Eleitoral busca meios convidativos para atrair e motivar a sociedade para se voluntariar. O Assessor diz que o próximo passo é convencer o MEC de que todas as instituições de ensino superior devem aceitar, de forma igualitária, as horas de atividade complementar dos universitários que trabalharem como mesário. Para ele isso estimularia os estudantes a estarem mais próximos do TRE-SP.

Bernandez crê que os benefícios vão continuar atraindo uma pequena parcela da sociedade, pois, para ele a maioria dos mesários são voluntários. Contudo, segundo o levantamento de dados, exposto no site do TRE-SP, na última eleição apenas 21,70% dos mesários em São Paulo eram voluntários. Sendo que em todo território nacional 54,17% mesários eram voluntários. O que indica que o estado paulistano ficou com uma pequena margem de voluntários em 2014.

Bernadez já contrapõe essa informação e garante que os números de voluntários de São Paulo, que são citados no site estão errados. Segundo ele a quantidade de voluntariados vem aumentando a cada eleição e esse equivoco teria ocorrido por uma falha dos cartórios, na hora de registar se o cidadão foi convocado ou não para trabalhar nas eleições.

Independente disso, como informa o professor de sociologia Odilon Camargo, 40, o trabalho de mesário é acima de tudo um ato de cidadania. “Você está colaborando com a democracia, pois, acima de tudo trabalhar como mesário é um ato de cidadania. Claro que existem critica de pessoas que são convocadas e não tem nenhum sentido nisso, pois, não são remunerados.”, afirma Odilon.

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